Um retrato mais fiel do drama de quem está na linha da frente na guerra contra a Covid 19 em Itália – Enfermeira Ema Gomes

Um retrato mais fiel do drama de quem está na linha da frente na guerra contra a Covid 19 em Itália – Enfermeira Ema Gomes

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Ema Gomes é uma cidadã cabo-verdiana natural de Tarrafal de Ribeira Grande de Santo Antão, emigrante em Itália há dezoito anos. A enfermeira de 38 anos residente em Lombardia, Itália, está na linha de frente do combate ao vírus da Covid 19, acabou por contrair o vírus no hospital onde trabalha há quatro anos. Após quarenta dias de internamento e em isolamento em casa, porque não havia lugar no hospital, ultrapassou os momentos de difíceis a que considerou de ”horror, calvário”, hoje já se encontra recuperada e pronta para regressar ao trabalho e dar continuidade a luta contra o “inimigo invisível”.

Uma em cada três mortes por coronavírus no mundo acontece na Itália onde o número de infecções pelo vírus SARS-CoV-2 é de 222.104. Por outro lado existem 112.541 pessoas recuperadas, um número que tem vindo a aumentar todos os dias.

Na linha da frente deste combate estão os profissionais da saúde também vitimas. A Itália tem 6,4 mil profissionais de saúde infectados por coronavírus.

A situação e o impacto psicológico do novo coronavirus é realmente “triste e devastador”. Os profissionais da saúde que muitas vezes trabalham 18 horas em condições “precárias” descrevem as cenas como “um filme de terror”.

Ema Gomes foi uma das primeiras cidadã cabo-verdiana a ser infectada com o novo coronavirus fora das fronteiras nacionais e faz parte do grupo de dezenas de milhares de pacientes que já se curaram depois de terem sido infectadas pelo Covid 19.

Em declarações ao Santo Antão News, Ema Gomes, relata que durante semanas lidou com a ansiedade e o desespero. “ A minha luta nesta epidemia não foi e nem está sendo fácil, ninguém estava preparado para esse tipo de flagelo. É muito duro viver de frente a essa dor”, assumiu a entrevistada.

Ema Gomes trabalha na área da psiquiatria do hospital, onde diz ter morrido muita gente. “Não foi fácil porque tratava-os bem, como se fossem meus familiares.”

Nesta luta, a enfermeira santantonense acabou por contrair o vírus, permaneceu em isolamento durante 40 dias, sem ver os familiares, filhos, marido e sogra que também estiveram em isolamento. Para esta profissional e seus familiares, foram dias de muito sofrimento e desespero de “ horror, calvário”.

“Tive os primeiros sintomas no dia 19 de Março, estava no trabalho, mas sinceramente não pensei que fosse esse vírus, terminei o meu turno e fui para casa, após quatro horas tive que chamar o médico que na hora fizeram me teste e resultou que eu estava infectada. Comecei a ficar preocupada, meus familiares todos com medo, meus filhos começaram a chorar, foi um momento de horror”, explicou Ema entristecida descrevendo os sintomas como dores de cabeça, febre, dor de garganta, dor no corpo, dificuldades em caminhar e respirar.

No hospital onde trabalha já não havia mais lugares, por isso Ema teve que ficar em casa onde recebeu todo o tratamento e orientações do seu médico, a quem agradece “do fundo do meu coração”.

No inicio da pandemia não havia muitos meios de protecção para a classe profissionais, médicos e enfermeiros, “agora temos viseira, mascaras, de facto foi uma catástrofe”, disse Ema acreditando que se houvesse mais meios de protecção o número de infectados poderia ter sido muito menor.

Não existe ainda vacina ou fármaco específico para o tratamento da Covid-19, apesar de alguns investigadores garantirem a eficácia de alguns medicamentos, e os doentes infectados são tratados como se tivessem uma qualquer infeção respiratória, como gripe, procurando combater-se os medicamentos que vão surgindo.

Ema confessa que recorreu a medicamento natural “remédio de terra” e admite ter ajudado muito na sua recuperação. ”Tomei muitos chás porque esse vírus seca as pessoas”.

Derrubado o inimigo invisível, Ema Gomes que esta se preparando para regressar ao trabalho na próxima segunda feira, agradece todos os familiares, amigos, filhos, marido, sogra, pais, irmãos, médicos que estiveram com juntos com ela apoiando-a.

Em jeito de balanço a entrevistada apela a todos a tomarem consciência e a serem muito maduros na luta contra a Covid 19.

 

 

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