UCCLA celebra Dia de África com olhos postos no futuro do continente

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A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) assinala o Dia de África, comemorado hoje, com os “olhos postos no futuro” do continente que deve “fazer convergir esforços” para a superação de tensões e conflitos. Fazendo uma retrospectiva da União Africana (UA) e das lutas de independências em África, lembrando que “hoje temos um mundo multipolar, tendo surgido novas potências à escala global como é sabido e, desde logo, a República Popular da China”.

“No Dia de África, 25 de Maio de 2021, que hoje se comemora, é com este novo mundo que o continente deve e tem de olhar o futuro”, diz a UCCLA acrescentando que “não é possível deixar de considerar que o peso do endividamento global, muito significativo, impõe negociações diferentes das que, até ao presente, foram encaradas para que seja possível fazer canalizar investimentos que resultem da libertação de compromissos com moratórias a acordar, o que vai no interesse dos próprios credores”, lê-se na nota.

“De par deste objectivo, há que fazer convergir esforços para a superação de tensões e conflitos, alguns dos quais se sustentam em radicalismos extremos, com alegadas raízes messiânicas que nada têm de fundamentos religiosos, como o que ocorreu no norte de Moçambique, em Cabo Delgado, fez evidenciar”, defende a organização lusófona.

Menciona também o combate às fortes desigualdades que se agravaram com a pandemia da covid-19, “encontra terreno fértil para os extremismos e o consequente combate à corrupção não pode deixar de estar na ordem do dia, tal não pode deixar de o estar a planificação familiar, sabendo-se como se sabe, que as mulheres em África têm uma fertilidade de cinco a sete filhos”.

“Está em causa o futuro que, em África, assenta também e sobretudo na priorização da sustentação dos países com a valorização do sector primário, ou seja, a agricultura e as pescas. No mais há sempre que relevar a prevalência do interesse geral sobre os interesses egoístas”.

Estas são hoje, defende a unidade, entre muitas outras, as questões que no Dia de África que hoje se comemora, por ter sido nela que foi criada a OUA que importa a nosso ver atender.

“Infelizmente, a persistência da pandemia impossibilitou a realização de uma iniciativa presencial evocativa da data, o que não prejudica que a UCCLA deixe de assinalar este dia, com os olhos sempre postos no futuro de África e dos países africanos e, desde logo, nos de língua oficial portuguesa”.

Entretanto, as medidas de desconfinamento que se começaram a tomar, na sequência da vacinação generalizada, “vão seguramente possibilitar iniciativas presenciais que representam o pulsar da energia de África e dos africanos, com debates alargados e meritórios que reforcem uma maior esperança de desenvolvimento humano para todos”, concretiza a nota.

Em Maio de 1963, à medida que a luta pela independência do domínio colonial ganhava força, líderes de Estados africanos independentes e representantes de movimentos de libertação reuniram-se em Adis Abeba, na Etiópia, para formar uma frente unida na luta pela independência total do continente.

Da reunião saiu a Carta que criaria a primeira instituição continental pós-independência de África, a Organização de Unidade Africana (OUA), antecessora da actual União Africana.

A OUA, que preconizava uma África unida, livre e responsável pelo seu próprio destino, foi estabelecida a 25 de Maio de 1963, que seria também declarado o Dia da África.

Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, que reafirmou os objectivos de “uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na cena mundial”.

 

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