Produtores tentam ainda escoar parte da produção de batata comum seis meses após colheita

Produtores tentam ainda escoar parte da produção de batata comum seis meses após colheita

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Os agricultores em Martiene, no concelho do Porto Novo, em Santo Antão, ainda não conseguiram escoar toda a produção de batata comum deste ano, seis meses depois da safra, a rondar quase mil toneladas.

O produtor Januário Cruz explicou que muitos agricultores ainda não conseguiram escoar toda a produção de 2021, situação que se deve à falta de mercado, aliado à importação de batata comum do estrangeiro.

Este produtor explicou ainda a Infopress que, ultimamente, a batata comum produzida em Martiene estava a ser vendido, no mercado porto-novense, a 90 escudos/quilo, mas com a chegada, nos últimos dias de uma importação de batata comum do estrangeiro, os agricultores viram-se a braços para escoar o que resta ainda da colheita deste ano.

“Já estamos a preparar a próxima sementeira, a em Outubro (safra acontece nos primeiros três meses do ano), mas ainda não conseguimos vender toda a produção deste ano, porque não temos mercado e, para complicar ainda a situação, há, também, a importação de batata do estrangeiro.

Enquanto isso, já está em andamento o projecto de instalação do sistema de rega gota a gota nesse vale, considerado um dos principais produtores de batata comum em Santo Antão. Com este projecto, que permitirá o uso eficiente da água, os produtores pensam aumentar a produção, mesmo diante do problema de mercado, segundo este agricultor.

Martiene, com uma produção anual à volta de um milhar de toneladas de batata comum, faz parte de um grupo muito reduzido de zonas agrícolas no concelho do Porto Novo ainda sem a praga dos mil pés.

Os agricultores têm estado a pedir ao Governo a avaliação do impacto do embargo imposto, há 37 anos, aos produtos agrícolas desta ilha, por causa dos mil pés, defendendo a necessidade de se libertar os vales ainda livre dessa praga desta medida de quarentena vegetal. É o caso também do Tarrafal de Monte Trigo, onde se produzem cerca de 700 toneladas de inhame ao ano.

Devido a dificuldades no escoamento da produção agrícola, os agricultores porto-novenses voltam a alertar para “o sufoco” que o embargo, decretado em 1984, tem provocado à agricultura neste concelho, entendendo que a medida “não devia ser extensiva a todas as zonas”

Opinião