ICIEG defende que mulher deve estar no centro da retoma económica do País

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O Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) defendeu hoje que a mulher deve estar no centro da retoma da economia cabo-verdiana, uma vez que, segundo a instituição, é a mais afectada com a crise pandémica.

Estas considerações foram feitas pela presidente do ICIEG, Rosana Almeida, que falava à Inforpress, à margem de uma conversa sobre “O papel da juventude feminina no empoderamento político e económico da sociedade cabo-verdiana”, realizada pela Universidade Jean Piaget (UniPiaget), no âmbito do seu 20º aniversário.

Debruçando sobre o empoderamento feminino no sector económico, a responsável disse que já entregaram “muitas” propostas ao Governo da IX legislatura, aguardando agora para ver como será a X legislatura.

Porém, adiantou, se o foco recai na retoma económica, a mulher é a “mais” afectada, daí defendeu que esta camada social tem que estar no centro da retoma económica.

Nesta perspectiva, Rosana Almeida avançou que o ICIEG tem “muita urgência” em trabalhar o sector informal, uma vez que desemprego afecta sobretudo a mulher.

“A formalização do sector informal com carácter de urgência e algumas medidas de equidade, em relação às licenças de maternidade”, entre outras várias questões já colocadas às autoridades, de moda a ver se o empoderamento feminino passa a ser “pleno”.

Porque, conforme justificou, “não se pode deixar ninguém para trás” e deixar a mulher para trás é “não” ter êxito na retoma económica que se quer a curto prazo.

O instituto, segundo Rosana Almeida, está a trabalhar com foco na participação política, uma vez que há dados e resultados, frutos de um trabalho feito, tendo realçado o aumento da participação feminina nas últimas eleições autárquicas, cerca de 42n por cento (%).

Também, em jeito de balanço da aplicabilidade da lei da paridade nas eleições legislativas de 18 de Abril, a presidente do ICIEG apontou que houve 37, 8% da participação feminina, sublinhando que o sentimento é de “orgulho” perante estes resultados.

“Vamos ter um parlamento com mais mulheres, estamos a ter mais mulheres nas esferas de decisão”, salientou, frisando que pretende com a conversa aberta mostrar que Cabo Verde está prestes a ser uma “grande” referência africana e, quiçá, mundial a nível do acesso das mulheres aos cargos de decisão.

Segundo a mesma fonte, há todo um trabalho que se está a ser feito, sobretudo, no sentido de abrir portas às novas gerações, para que os problemas enfrentados hoje não venham a afligir estas gerações, promovendo, assim, uma “Geração Igualdade”, que tem sido a solicitação das Nações Unidas.

A conversa aberta será, segundo Rossana Almeida, para mostrar que, através do empoderamento económico das raparigas em Cabo Verde, está-se a contribuir para o desenvolvimento que se quer pleno e respostas rápidas aos grandes males que estamos a enfrentar na sociedade cabo-verdiana.

“Portanto, não há melhor palco do que as universidades para tentar passar estas mensagens e dizer que estamos a trabalhar para a nova geração…”, disse, indicando que a conversa aberta será, igualmente, para falar dos ganhos, dos desafios e de uma mentalidade que cada vez mais precisa ser aprimorada.

“É para mostrar como é que nós conseguimos desafiar alguns estereótipos e como conseguimos alcançar alguns resultados, porque a menos de dois anos atrás, os partidos político diziam que não iam conseguir mulheres paras as listas e que seria difícil a lei da paridade. Curiosamente, um desses partidos, UCID que votou a favor da lei na especialidade, mas não votou na generalidade, é precisamente este partido que consegue 50/50 no parlamento”, frisou Rossana Almeida.

Por isso, acrescentou, a conversa é para mostrar que existem “telhados de vidros que podem ser facilmente “quebrados” e que todos os problemas levantados aquando da votação da lei da paridade, segundo os quais não havia mulheres disponíveis, foram “todos ultrapassados”.

Opinião