Governo admite configuração do futuro aeroporto de Santo Antão “ainda antes do final do mandato”

Governo admite configuração do futuro aeroporto de Santo Antão “ainda antes do final do mandato”

Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on email
Email

O Governo está a “procurar recursos” e a “mobilizar as parcerias” para a construção do futuro aeroporto de Santo Antão, cuja configuração estará a ser definida “ainda antes do final” da presente legislatura, ou seja, até 2021.

Os estudos técnicos preliminares estão, há dois anos, a ser recolhidos e o Governo, afiançou o   ministro que tutela o sector dos transportes, José Gonçalves, espera, ainda antes do término deste mandato, ter “uma resposta clara” sobre a viabilidade do aeroporto, que consistirá, “essencialmente”, na construção de uma pista, com dimensão mínima  de 2.500 metros.

Segundo os dados recolhidos, até agora, pela equipa responsável pelos estudos, existem “condições” de se construir um aeroporto em Santo Antão, que satisfaça “toda região norte” de Cabo Verde.

Santo Antão News apurou que está perante um projecto que poderá custar entre 18 milhões a 20 milhões de euros.

Para a construção do aeroporto, o executivo cabo-verdiano pensa estabelecer parceria com o sector privado, acreditando que o potencial económico de Santo Antão, sobretudo no domínio do turismo, constitui motivos mais do que suficientes para atrair os investidores privados.

O ministro reconhece que o estabelecimento de uma parceria público-privada para a construção desta infra-estrutura aeroportuária constitui a “primeira opção” do governo no âmbito desse processo.

As informações estão, desde 2017, a ser recolhidas por uma equipa multidisciplinar, coordenada pela ASA (Aeroportos e Segurança Aérea), que vai continuar o seu trabalho, pelo menos, mais um ano e meio, mas  os dados existentes já apontam para a viabilidade de um aeroporto em Santo Antão.

Entretanto, Santo Antão News constatou que o projecto não é consensual entre os santantonenses. Os autarcas e deputados entendem que um aeroporto internacional de porte médio é “uma necessidade imperiosa” para esta ilha, cuja economia está “estagnada”, mas há operadores, que apesar de reconhecerem “a importância” dessa infra-estrutura para o desenvolvimento desta ilha, que consideram que o projecto “não é uma prioridade”.

É o caso do operador João Baptista Fortes, proprietário de um empreendimento turístico em Ribeira das Patas, Porto Novo, que, na sua “opinião muito pessoal, mas vincada”, entende que “o aeroporto não é uma prioridade”, considerando que “há coisas que precisam ser feitas antes para alavancar o desenvolvimento desta lha, designadamente do turismo.

“Na sua “perspectiva”, já que existe, na ilha vizinha de São Vicente um aeroporto internacional, e num contexto de integração regional, devia-se era apostar num sistema de transporte marítima de “alta qualidade” para Santo Antão, que podia até ser “um produto de venda” do ponto de vista turístico.

Para a Associação do Turismo de Santo Antão, o Governo, no âmbito do programa de investimentos para Santo Antão, devia “priorizar” a extensão do porto do Porto Novo em vez do aeroporto.

Os operadores turísticos em Santo Antão acreditam que o porto do Porto Novo, uma vez ampliado, para poder receber navios de grande porte, funcionará como “complemento” ao futuro terminal de cruzeiros de São Vicente.

Há quem considere, mesmo, que o aeroporto poderá alterar “o modelo” do turismo que se pretende para Santo Antão.

A construção de um aeroporto internacional de porte médio em Santo Antão é “uma necessidade imperiosa” para a “sustentabilidade e a aceleração do desenvolvimento” desta ilha, segundo o  presidente da Assembleia Nacional e deputado eleito pelo círculo de Santo Antão, Jorge Santos.

O primeiro-ministro, numa visita, em Julho, à ilha de Santo Antão, garante, por sua vez, que o aeroporto de Santo Antão “vem a caminho”, reafirmando o propósito do Governo em avançar com o projecto, no quadro de uma parceria público-privada.

Santo Antão está sem ligação área deste 2003, quando a empresa ASA (Aeroportos e Segurança Área) decidiu encerrar o aeródromo Agostinho Neto, em Ponta do Sol, por não haver aviões para operar nessa pista, com menos de 600 metros de cumprimento.

Os Transportes Áreos de Cabo Verde (TACV) tinha alienado, nessa altura, o Twin Otter, conhecido por  “djô canela”, por ter trens de aterragem rígidos, não retrácteis.

O Twin Otter era a única aeronave a operar nesse aeródromo, com a pista de 598×30 metros, razão pela qual a solução encontrada foi do fecho dessa infra-estrutura.

 

Opinião

Fechar