Ex-PR Pedro Pires mostra-se preocupado com a insegurança em Cabo Verde

Ex-PR Pedro Pires mostra-se preocupado com a insegurança em Cabo Verde

Share on twitter
Twitter
Share on facebook
Facebook
Share on email
Email

O ex-Presidente cabo-verdiano Pedro Pires apelou à cooperação entre as diferentes instituições para garantir a segurança em Cabo Verde, um “objetivo fundamental” para o futuro do país e transversal a toda a sociedade.

“A questão da segurança em Cabo verde é um assunto transversal, todos os cabo-verdianos devem preocupar-se com isso. Todos os ministérios, todos as instituições, todos os partidos políticos, estejam no poder ou na oposição, devem cooperar e colaborar para que melhoremos a nossa segurança”, defendeu o antigo chefe de Estado.

Pedro Pires, falava à agência Lusa para analisar o último “Relatório sobre a Governação Africana da Fundação Mo Ibrahim”, instituição que lhe atribuiu o Prémio de boa governação em 2011.

“Tudo que nos pode acontecer nesta área prejudica Cabo Verde. Como não queremos prejudicar o nosso país, temos de cooperar, é um assunto que diz respeito a todos, à Presidência, ao Governo, às Forças Armadas, à Polícia Nacional, às Câmaras Municipais, aos partidos políticos, todos. Têm de cooperar porque esse é um objetivo fundamental para garantir o nosso futuro”, completou Pedro Pires, que também foi primeiro-ministro cabo-verdiano entre 1975 e 1991.

Segundo Pedro Pires, a realidade de hoje não é comparável com a dos anos 1970 ou 1980, uma vez que são contextos sociais, expectativas e uma população diferentes, pelo que os problemas devem ser resolvidos pela nova geração.

“A responsabilidade é vossa, sobretudo das novas gerações. Não vale a pena estar a criticar o que teria sido feito há 44 anos, devem resolver os problemas de agora, que é a responsabilidade da nova geração”, reforçou.

“E se as coisas não correm bem, a responsabilidade é desta geração, das instituições da nossa República, incluindo todos da nossa sociedade, da nossa juventude, da nossa escola, é de todos nós, mas muito mais das novas gerações”, completou o antigo chefe de Estado.

Para o atual presidente da Fundação Amílcar Cabral e do Instituto Pedro Pires para a Liderança, Cabo Verde precisa de um “Estado forte”, que mantém a autoridade, garante a segurança e o funcionamento das instituições.

“Temos feito um discurso de democracia, mas não temos feito o outro discurso, que é da segurança, da eficácia, do resultado”, salientou.

Cabo Verde tem sido alvo nos últimos tempos de vários atos criminais, entre homicídios, atentados, assaltos e roubos, a maioria com recurso a arma de fogo e sobretudo na cidade da Praia, a capital do país.

Num  espaço de cinco dias cinco pessoas foram assassinadas. Recorda-se que no passado sábado, 26, a jovem Marlice da Luz Monteiro, 37 anos, foi encontrada sem vida, nas proximidades do condomínio onde trabalhava como empregada doméstica. A autópsia revelou ter sido um assassinato.

Segundo informações houve mais um caso de suposto suicídio na Praia. Um taxista foi encontrado, este Domingo,27, morto perto da viatura ST-23-IP que conduzia em serviço, supostamente a caminho da Cidade Velha.

No dia 29, o agente policial Hamilton Morais foi assassinado a tiro no bairro de Tira Chapéu quando este se encontrava numa diligência policial.

Ainda no dia 01 de novembro, um outro jovem foi morto a facada no bairro de Safende, na cidade da Praia, na sequência de um desentendimento. Ambos os envolvidos se encontravam num estabelecimento consumindo bebidas alcoólicas, quando os dois indivíduos se desentenderam. Anildo foi golpeado com uma facada no pescoço.

Sabe-se ainda que um turista foi também assaltado e agredido no dia 30, quando este fazia o percurso de Quebra Canela para Achada Santo António, na subia da escadinha que dá acesso à Cruz de Papa. A vítima foi pedir socorro no restaurante Nice Kriola. Os assaltantes levaram dinheiro e um telemóvel.

No passado sábado, dia 02 de novembro, um jovem de 27 anos foi morto a tiro na zona de Achada Mato. As autoridades estão investigando o crime, entretanto, não há ainda suspeitos

Em julho, o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, sofreu um atentado a porta de um ginásio, tendo sido atingido com um tiro no braço e já recuperou, e até agora também não foi detido nenhum suspeito.

Além disso, têm acontecido vários casos de assaltos e estabelecimentos comerciais e pessoas nas ruas, num fenómeno que tem sido alvo de muitos debates e comentários no país.

Os mais recentes atos de criminalidade na capital cabo-verdiana levaram a Embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde a emitir um alerta se segurança aos seus cidadãos, dando-lhes conselhos e indicações de como se agir e reagir.

 

 

Com Lusa

Opinião

Fechar