Eliane Semedo, a mulher carpinteira que faz sucessos com a arte em paletes

Eliane Semedo, a mulher carpinteira que faz sucessos com a arte em paletes

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Eliane Semedo, “a preta das paletes” como ela gosta de ser chamada, iniciou a trabalhar nas artes em paletes há apenas cinco anos e já faz parte da concorrência neste negócio e profissão que antes era dominada apenas  por homens.

Ao longo de muitos anos, mulheres foram subjugadas e estereotipadas para determinadas funções em sociedade, sendo elas consideradas adequadas somente aos trabalhos domésticos.

Porém, esta realidade tem sido aos poucos, se modificando, embora não deixa de ser ainda hoje um grande desafio.

A jovem Eliane Semedo  de 38 anos, é uma das várias mulheres que veio desmistificar a ideia de que o homem tem mais força ou habilidade para certos trabalhos em relação à mulher.

Há cinco anos, Eliane Semedo “a preta das paletes”, aceitou um convite de um amigo que trabalhava com paletes e que a desafiou para aprender com ele. Eliane assume que não foi fácil e até pensou em desistir, contudo a força de vontade foi maior que o seu medo. A jovem encontrou nas paletes,uma forma de driblar o desemprego e ganhar seu sustento.

Camas, “banquinhas”, mesas, cadeiras, sofás em paletes são produzidas por esta jovem que diz há cada dia descobrir neste trabalho, uma nova paixão que nunca tinha pensado. Hoje, com a sua experiência e dom para este negócio, a jovem já recebe muitos elogios por fazer bem o seu trabalho, numa tarefa considerada apenas para os homens.

“Foi algo novo que descobri na tentativa de fazer algo que outras pessoas pudessem gostar. Aos poucos fui criando paixão por este trabalho”, disse a entrevistada a Santo Antão News.

“A preta das paletes” hoje angariou muitos clientes e diz satisfeita com aquilo que faz. Questionada sobre a aceitação dos seus clientes, Eliane adianta que foi muito bem aceita, não por ser mulher mas sim por ser “detalhista”. Na sua oficina em Achadinha, cidade da Praia, encontramos todos os materiais de carpintaria, ferramenta que sem os mesmos não seria possível o resultado do seu trabalho.

“Graças a Deus não tenho que me queixar, recebo muitas encomendas e os clientes dizem-se satisfeitos”. Eliane afirma que algumas pessoas por curiosidade vão à sua oficina para vê-la trabalhar peças de mobílias, estranhando-se porque nunca tinham visto uma mulher carpinteira.

A carpintaria é uma das profissões que antes eram consideradas masculinas, e nas quais cada vez mais mulheres têm atuado, uma revolução e evolução inspiradora, que desperta mulheres a assumirem seus sonhos e vontades, realizando-se pessoal e profissionalmente.

Com isto a mulher carpinteira “preta das paletes” apela a todas as mulheres cabo-verdianas a lutarem diariamente a cada minuto. Isto porque “o lugar das mulheres não é apenas na cozinha, mas sim lá onde ela escolher estar, na aeronáutica, no ramo da engenharia mecânica, na engenharia elétrica, na política, bombeiras, em todos segmentos profissionais nos quais antes apenas os homens atuavam”, concluiu.

 

Cláudia Santos

 

Opinião

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