Delegação internacional chega a Cabo Verde para interceder a favor da libertação de Alex Saab

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Uma delegação internacional composta por quatro individualidades chega nas próximas horas a Cabo Verde com perspectivas de encontrar-se com as autoridades para pedir a libertação do venezuelano Alex Saab.

A delegação é composta pelo  líder religioso cabo-verdiano Dom Felipe Teixeira, pelo político cabo-verdiano Péricles Tavares e pelos activistas de direitos humanos Sara Flounders, do International Action Centre, e Roger Harris, do Task Force nas Américas.

Em declarações à Inforpress, Dom Felipe Teixeira,   que lidera o grupo, explicou que o  propósito da  viagem é “humanitária”, porque   Alex Saab “está detido ilegalmente há quase um ano em condições desumanas e degradantes”,  e foi “submetido a torturas físicas e psicológicas  e sofreu uma perda significativa de peso”.

Conforme  a mesma fonte, o objectivo da viagem é  também “pressionar as autoridades para que garantam o cumprimento do Estado de Direito pelo qual Cabo Verde se tornou conhecido”.

Em Cabo Verde, o grupo pretende encontrar-se com o Presidente da República, com o primeiro-ministro, com a ministra da Justiça e com  a presidente da Comissão Nacional dos  Direitos Humanos, entre outras autoridades.

Questionado pela Inforpress se a viagem é patrocinada pelo Governo de Venezuela, que  tem lutado para a libertação de Alex Saab, Dom Filipe Teixeira explicou que a visita é uma resposta à manifestações espontâneas de apoio da comunidade e dos sindicalistas, mas que “não é patrocinada pela Venezuela”.

“A nossa visita é uma iniciativa própria e deve ser entendida que os membros do Boston School Bus Drivers Union e do United Steel Workers Union sempre tiveram o maior respeito pelo presidente Maduro, que já foi um motorista de ônibus como eles”, reagiu, defendendo que quando fez escala em Cabo Verde, Alex Saab estava engajado numa “missão humanitária para ajudar os homens, mulheres e crianças comuns da Venezuela” num momento de “tremendas dificuldades” causadas pela pandemia da covid-19.

Dom Filipe Teixeira disse que a missão humanitária espera que as autoridades cabo-verdianas lhes  proporcionem a oportunidade de diálogo e discussão.

“Esperamos que Cabo Verde respeite a decisão do Tribunal da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), mas também respeite a sua própria boa reputação, que foi construída ao longo de muitas décadas desde a independência”, apelou.

Alex Saab, 49 anos, considerado pelos Estados Unidos como um testa-de-ferro de Nicolás Maduro, foi detido em Junho de 2020 pela Interpol e pelas autoridades cabo-verdianas, durante uma escala técnica no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos da América (EUA), quando regressava de uma viagem ao Irão em representação da Venezuela.

Neste momento Alex Saab encontra-se em  prisão domiciliária.

O Tribunal da Relação do Barlavento já decidiu por duas vezes – a última das quais em janeiro, ambas com recurso da defesa – pela extradição de Alex Saab para os Estados Unidos (EUA).

Mas a detenção foi classificada pelo Governo da Venezuela como “arbitrária” e uma “violação do direito e das normas internacionais”, tal como as “acções de agressão e cerco contra o povo venezuelano, empreendidas pelo Governo dos Estados Unidos da América”.

Saab era procurado pelas autoridades norte-americanas há vários anos, suspeito de acumular numerosos contratos, de origem considerada ilegal, com o Governo venezuelano de Nicolás Maduro.

Em 2019, procuradores federais em Miami (EUA) indiciaram Alex Saab e um seu sócio, por acusações de operações de lavagem de dinheiro, relacionadas com um suposto esquema de suborno para desenvolver moradias de baixa renda para o Governo venezuelano, que nunca foram construídas.

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