Brasileiros intercetados na costa de Cabo Verde com uma tonelada de cocaína acusados de tráfico de estupefacientes

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O Ministério Público português acusou de tráfico de estupefacientes os sete cidadãos brasileiros, intercetados no mês de maio de 2019, na costa de Cabo Verde, numa embarcação de pesca com mais de uma tonelada de cocaína, avaliada em 44 milhões de euros.

De acordo com a Lusa, a embarcação ‘Wood’, de pavilhão brasileiro, foi intercetada pelas autoridades marítimas portuguesas em 22 de maio, no Oceano Atlântico, a 520 quilómetros a sul de Cabo Verde e a quatro mil quilómetros de Lisboa, no âmbito da Operação ‘Areia Branca’, que, além da Marinha, teve a participação da Força Aérea, da Polícia Judiciária e da Polícia Federal Brasileira.

Ainda segundo a mesma fonte os sete arguidos, todos em prisão preventiva, “eram os tripulantes da embarcação de tipo pesqueiro artesanal ‘Wood’, na qual vieram a ser encontrados, quando navegava no mar alto, 1.087 quilogramas de cocaína, acondicionados em 50 sacas de ráfia”.

“Todos os arguidos quiseram participar num transporte de elevada quantidade de cocaína, produto que recolheram no mar, perto da costa brasileira, e que destinavam à entrega a terceiros, em local não apurado, que, por sua vez, se encarregariam de diligenciar pelo escoamento desse produto no mercado europeu”, sustenta o MP, acrescentando que a venda da cocaína apreendida permitiria ganhos “monetários muito elevados, certamente superiores a 44 milhões de euros”.

A droga estava sendo carregada em 50 fardos prensada em placas, que passaram de outra embarcação para a embarcação ‘Wood’”, que “navegou pelo Oceano Atlântico, sem nunca ter aportado e sem ter sido desenvolvida qualquer atividade piscatória, até ser intercetada pelas autoridades marítimas portuguesas”.

A interceção ocorreu à 01:55 de 22 de maio de 2019, “a cerca de 280 milhas náuticas [perto de 520 quilómetros] da cidade da Praia, Cabo Verde”, quando a embarcação se encontrava parada a aguardar o transbordo da cocaína.
“Assim, desconhecendo-se as circunstâncias de tempo e de modo em que um potencial transbordo poderia vir a ser efetuado, pelas 03:21, um meio naval da Marinha Portuguesa abordou a embarcação ‘Wood’ e elementos da Marinha subiram a bordo, na sequência de a tripulação ter sido informada de que a embarcação iria ser submetida a uma intervenção para inspeção”, diz o MP.

De seguida, “com o controlo e escolta” do meio naval da Marinha, a embarcação “foi conduzida pelos seus tripulantes até Portugal” e levada até à Base Naval de Lisboa, no Alfeite, concelho de Almada, distrito de Setúbal, “onde aportou pelas 15:00″ de 03 de junho de 2019.

Assim que aportou, inspetores da Polícia Judiciária (PJ) iniciaram o cumprimento dos mandados de busca para a embarcação, que, a bordo, além da cocaína, tinha “apenas uma quantidade residual de pescado congelado, para consumo da tripulação”.

O advogado do mestre da embarcação, Vítor Parente Ribeiro, adiantou à Lusa que já requereu a abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir, por um juiz de instrução criminal, se o processo segue e em que moldes para julgamento.

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