AEROPORTO DE SANTO ANTÃO COMO ALAVANCA DE DESENVOLVIMENTO DA ILHA

AEROPORTO DE SANTO ANTÃO COMO ALAVANCA DE DESENVOLVIMENTO DA ILHA

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Por Josefà Barbosa

A existência de um aeroporto em cada uma das ilhas, no país arquipelágico, foi sempre uma necessidade, razão pela qual, no passado recente, todas beneficiaram dessa infraestrutura.

Infelizmente Santo Antão deixou de beneficiar dessa infraestrutura, vital para o seu desenvolvimento, porque o ainda existente, embora desativado, foi construído à medida dos pequenos aviões existentes, na altura, e num local que não facilita a sua expansão.

Na verdade, pouca gente deve saber, que havia seis opções para a construção do aeroporto de Santo Antão e paradoxalmente escolheu-se a última, ou seja, a pior opção, por razões que a razão desconhece.

Esta e outras opções infelizes que têm sido tomadas vêm contribuindo para que Santo Antão seja cada vez mais dependente e marginal, no contexto do país.

Se o aeroporto tivesse sido construído, na altura, no lugar apropriado, hoje poderíamos estar a discutir a sua expansão para receber aviões de médio porte, em vez de estarmos ainda a discutir a necessidade da existência de uma pequena pista para a ilha.

Para além das opções desacertadas que prejudicaram o desenvolvimento de Santo Antão, há necessidade de se consolidar o consenso no que concerne à definição de uma visão estratégica e integral mais adequada para a ilha, pois incompreensivelmente ainda existem vozes, com alguma influência na tomada de decisões, que acham que Santo Antão perdeu o direito de usufruir de um aeroporto, depois da desativação do de Ponta do Sol.

O primeiro argumento dessas pessoas, que ainda não alcançaram a razão da construção do aeroporto, é que os santantonenses estão a reivindicar um aeroporto internacional, o que não corresponde a verdade, pois, o que se pretende é uma pequena pista de 2.500 metros, com possibilidades futuras de expansão e a um custo que não deve ultrapassar os 25 milhões de Euros.

O segundo argumento das mesmas pessoas é que Santo Antão está perto de São Vicente, pelo que não precisa de um aeroporto. Seguindo esta lógica devia-se desativar alguns aeroportos em algumas ilhas mais próximas uma das outras, a começar pela ilha do Maio, por estar a 8 minutos da Praia, em vez de se estar a pensar construir um aeroporto internacional nessa ilha, aproveitando as suas potencialidades para desenvolver o turismo balnear.

Na verdade, a ligação entre Santo Antão e São Vicente deve continuar a ser feita essencialmente por via marítima. O aeroporto de Santo Antão, pelo menos numa primeira fase, deve servir fundamentalmente para fazer a ligação com a capital do país e com as ilhas que recebem o maior fluxo de turistas.

Todas as ilhas de Cabo Verde necessitam do seu aeroporto para poder aproveitar as suas potencialidades e promover o seu desenvolvimento.

Realmente, sendo Santo Antão, uma das ilhas considerada das mais belas do mundo, o seu grande potencial turístico só pode ser aproveitado se tiver um aeroporto que permita usufruir e fazer crescer a diversificação do turismo, ou seja, um turismo de Alto Valor Acrescentado, quer através de uma procura direta do mercado emissor, quer indiretamente através do aproveitamento de uma percentagem dos turistas, que procuram sol e praia nas ilhas do Sal, da Boavista e futuramente do Maio.

Tenho contatos com operadores turísticos internacionais que garantem, numa primeira fase, no mínimo dois voos por dia para Santo Antão, um a partir do Sal e outro a partir da Boavista, ou seja, cerca de 100 turistas por dia, se houvesse um aeroporto na ilha.

Santo Antão e Cabo Verde ganhariam muito com o crescimento do turismo de Alto Valor Acrescentado. Estes voos seriam importantes para a viabilidade do próprio aeroporto, o Estado arrecadaria mais impostos e ainda verificar-se-ia um grande aumento do rendimento, nomeadamente das agências de viagens e turismo, do sector dos transportes, da hotelaria, da restauração, da pesca, da agricultura e dos setores ligados à cultura e ao artesanato.

Em resumo, tendo Santo Antão um aeroporto verificar-se-iam mais rendimento para o Estado, mais crescimento económico do país, mais desenvolvimento local, mais rendimento para todos os setores envolvidos direta ou indiretamente no turismo, mais emprego, mais rendimento para as pessoas e menos pobreza.

Não há dúvidas de que Santo Antão deixaria de ser uma ilha sem perspetivas de futuro e a perder população e tornar-se-ia um lugar atrativo para o investimento privado em todas as áreas de atividade, particularmente nas áreas de hotelaria, transporte, restauração, pesca, agricultura e indústria agroalimentares.

Na verdade, não há investimento privado sem o aeroporto e não há desenvolvimento local sem investimento privado.

Por outro lado, o aeroporto iria permitir a modernização e o aumento da produção da pesca (os bancos de pesca da zona norte estão localizados em Santo Antão), da agricultura e a criação da indústria agroalimentar, visando o abastecimento às grandes cadeias de hotéis turísticos existentes no Sal e na Boavista de produtos agrícolas, carne, ovos e peixe.

Penso que não vale a pena argumentos para justificar o óbvio: o aeroporto de Santo Antão estimula o desenvolvimento da ilha. Sendo uma das ilhas com maiores potencialidades do país, em todos os setores de atividades, não se justifica que essas potencialidades não tenham sido aproveitadas e que a ilha seja dos mais pobres do país.

Nos finais de 2015 foi apresentado o projeto da construção do aeroporto e tomou-se a decisão quanto à sua localização e estudo. Hoje, temos conhecimento que eventualmente os estudos já foram finalizados e aguarda-se o melhor momento para ser socializado.

Ultrapassada a fase de estudos, penso que não se põe a questão da sustentabilidade e da necessidade de uma parceria público-privada para viabilizar a construção do aeroporto. Na verdade, se não fôssemos audazes e persistentes e se tudo fosse analisado na base da estrita sustentabilidade, teríamos admitido, na altura da independência, de que Cabo Verde seria um país inviável.

Eu tenho a certeza de que o aeroporto de Santo Antão, no contexto do nosso país, para além de ser vital para o desenvolvimento da ilha, apresenta pelo menos alguma sustentabilidade e prioridade, comparando com outros projetos realizados e a realizar no país.

No que diz respeito à parceria público-privado penso que é possível ser concretizada porque já tive pessoalmente contatos com operadores turísticos estrangeiros que mostraram interesse nesse consórcio.

Espero que o governo tire da gaveta o projeto da construção do aeroporto de Santo Antão e desencadeie imediatamente todos os esforços no sentido de encontrar as vias para a sua construção, o mais urgente possível.

Os santantonenses, em geral, e os jovens, em particular, agradecem porque não querem continuar a assistir o despovoamento de uma ilha, prenha de potencialidades por aproveitar, devido ao atraso da construção do aeroporto.

Josefá Barbosa

 

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